Naming rights: o que são e a importância do registro de marca

Tempo de leitura: 7 minutos

Os naming rights — ou direitos de nomenclatura — são contratos nos quais uma empresa paga para associar seu nome a um espaço, evento ou competição esportiva. Nos últimos anos, esse modelo de patrocínio cresceu de forma expressiva no Brasil e no mundo, movimentando bilhões de reais e criando vínculos poderosos entre marcas e o imaginário do público. Por trás de cada arena, estádio ou campeonato que carrega o nome de uma empresa, existe uma estrutura jurídica complexa que envolve propriedade intelectual, contratos de longo prazo e, fundamentalmente, o registro de marca.

O que são naming rights e como funcionam na prática

Em termos simples, naming rights é o direito de dar o seu nome a algo que pertence a outra pessoa. O detentor do espaço — como um clube de futebol ou uma arena multiuso — cede o nome do local para uma empresa patrocinadora por um período determinado, geralmente de cinco a vinte anos, em troca de um valor financeiro substancial. Assim, o estádio do clube passa a se chamar, por exemplo, “Arena NomeDaEmpresa”.

No Brasil, exemplos conhecidos incluem a Neo Química Arena (do Corinthians), a MRV Arena (do Atlético Mineiro) e o Allianz Parque (do Palmeiras). Além disso, o modelo já se expandiu para ginásios, centros de convenções, campeonatos e até salas de concerto. Portanto, esse mecanismo de patrocínio deixou de ser exclusividade do futebol e passou a integrar diversas estratégias de marketing e branding corporativo.

Naming rights no esporte e além

O esporte ainda lidera o mercado de naming rights no Brasil, mas o conceito se aplica a outros contextos. Universidades vendem direitos de nomenclatura de salas e bibliotecas. Festivais de música adotam o nome de patrocinadores. Corridas de rua e competições de e-sports também seguem esse caminho. Ou seja, qualquer espaço ou evento com apelo público pode, em tese, ser objeto de um contrato desse tipo.

Consequentemente, as empresas que buscam visibilidade de marca passaram a enxergar os naming rights como um investimento estratégico de longo prazo — diferente de uma simples campanha publicitária. A associação com um espaço físico ou com um evento de grande audiência cria uma lembrança de marca muito mais duradoura.

A estrutura jurídica por trás dos naming rights

Do ponto de vista jurídico, os naming rights envolvem, no mínimo, um contrato de cessão de uso do nome combinado com elementos de patrocínio e licença de marca. Além disso, frequentemente se somam a esse documento cláusulas de exclusividade setorial, regras de rescisão, penalidades por descumprimento e critérios de renovação.

No entanto, um ponto que muitas empresas negligenciam é justamente o registro de marca. Para que o nome associado ao espaço ou evento seja protegido de forma eficaz, ele precisa estar devidamente registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Sem esse registro, a empresa que investiu milhões em naming rights pode ver um terceiro usar o mesmo nome ou expressão em produtos e serviços, gerando confusão no mercado e diluindo o valor da marca.

Por que o registro de marca é indispensável

Imagine que uma empresa fecha um contrato de naming rights por dez anos e durante esse período a expressão se torna amplamente conhecida pelo público. Se o nome utilizado não estiver registrado como marca, qualquer concorrente pode depositar esse mesmo nome no INPI e obter a proteção que deveria ser da empresa que pagou pelo contrato. Portanto, o registro de marca não é apenas uma formalidade — é uma proteção real e necessária.

Para entender melhor como funciona esse processo, vale a leitura do nosso artigo completo sobre registro de marca: o que é, como funciona e por que proteger. Além disso, antes de usar qualquer expressão em um contrato de naming rights, é essencial fazer a busca de anterioridade, verificando se o nome já está registrado por terceiros — algo que explicamos em detalhes neste outro artigo sobre a importância da busca de anterioridade antes de registrar uma marca.

Principais cláusulas em um contrato

Um contrato bem estruturado de naming rights deve contemplar, no mínimo, os seguintes elementos:

  • Objeto do contrato: descrição clara do espaço, evento ou competição que receberá o nome da empresa.
  • Prazo de vigência: período durante o qual a empresa tem o direito de uso do nome, com possibilidade de renovação.
  • Contraprestação financeira: valor total, forma de pagamento e eventuais reajustes ao longo dos anos.
  • Exclusividade: se o patrocinador terá exclusividade em seu setor de atuação ou não.
  • Obrigações de exposição: regras sobre como o nome deve aparecer em placas, uniformes, transmissões e materiais de comunicação.
  • Proteção de marca: cláusulas que regulam o registro e a defesa da marca junto ao INPI e em instâncias internacionais, se necessário.
  • Hipóteses de rescisão: situações que autorizam o encerramento antecipado do contrato, com ou sem multa.
  • Gestão de crise: o que acontece com o nome se a empresa ou o detentor do espaço passar por escândalo público ou falência.

Portanto, a elaboração desse tipo de contrato exige conhecimento jurídico especializado tanto em direito contratual quanto em propriedade intelectual. Um contrato mal redigido pode gerar litígios milionários e danos irreparáveis à imagem das partes envolvidas.

Riscos e desafios nos contratos de naming rights

Apesar das vantagens estratégicas, os naming rights também apresentam riscos consideráveis. Por exemplo, uma empresa que associa seu nome a um clube de futebol pode ser negativamente impactada pelos resultados esportivos, por crises internas do clube ou por decisões polêmicas de gestão. Da mesma forma, o clube pode ser prejudicado se a empresa patrocinadora envolver-se em escândalo financeiro ou reputacional.

Outro desafio relevante envolve o torcedor e o público em geral. Em alguns casos, a resistência popular ao novo nome é tão grande que o nome original permanece no vocabulário cotidiano, reduzindo o valor real do investimento. Isso aconteceu em mercados internacionais, onde arenas com naming rights ainda são chamadas popularmente pelo nome anterior.

No plano legal, um risco frequente é a falta de clareza sobre quem é responsável pelo registro e manutenção das marcas envolvidas. Consequentemente, surgem disputas sobre titularidade, uso indevido e até oposições de terceiros no INPI. Por isso, o contrato deve definir com precisão quem assume essas obrigações e quais são as consequências em caso de descumprimento.

Naming rights e o direito internacional de marcas

Empresas multinacionais que firmam contratos de naming rights no Brasil frequentemente precisam proteger suas marcas também em outros países. Nesse contexto, o sistema de registro internacional de marcas administrado pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual) por meio do Protocolo de Madri se torna uma ferramenta estratégica importante. Assim, a empresa garante proteção simultânea em diversos países com um único pedido.

Além disso, empresas que atuam no mercado de capitais precisam atentar para o impacto contábil dos naming rights. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e as normas internacionais de contabilidade tratam esses contratos de formas específicas, especialmente quando envolvem ativos intangíveis de longo prazo.

Como proteger a marca em um acordo de naming rights

O primeiro passo para uma empresa que deseja firmar um contrato de naming rights é verificar se a expressão que será utilizada está disponível para registro. Essa verificação — chamada de busca de anterioridade — deve ser feita diretamente na base de dados do INPI antes mesmo de assinar qualquer documento.

Em seguida, a empresa deve depositar o pedido de registro de marca nas classes de Nice pertinentes às suas atividades. O registro confere ao titular o direito exclusivo de uso da marca em todo o território nacional, o que é essencial para assegurar o valor do investimento em naming rights.

Além disso, é recomendável que o contrato de naming rights inclua uma cláusula específica prevendo que, caso o registro de marca seja negado ou contestado, as partes definirão alternativas para preservar o acordo. Dessa forma, evita-se que um problema administrativo no INPI provoque a rescisão de um contrato de alto valor.

O mercado de naming rights no Brasil: perspectivas e tendências

O mercado brasileiro de naming rights ainda está em fase de consolidação, mas cresce a cada ano. De acordo com informações amplamente divulgadas pelo setor, os contratos de naming rights em estádios de futebol no Brasil já somam centenas de milhões de reais em valor agregado. Além disso, a realização de grandes eventos esportivos no país nas últimas décadas contribuiu para profissionalizar esse mercado.

Por outro lado, o mercado ainda enfrenta desafios como a falta de padronização contratual, a insegurança jurídica em alguns setores e a resistência cultural de parte do público. No entanto, à medida que mais empresas percebem o retorno sobre o investimento desses acordos, a tendência é de crescimento contínuo.

Nesse cenário, ter assessoria jurídica especializada em propriedade intelectual e contratos se torna um diferencial competitivo real. Empresas que investem em naming rights sem o suporte adequado correm riscos desnecessários que poderiam ser evitados com uma análise prévia cuidadosa.

Perguntas frequentes

O que são naming rights?

Naming rights são contratos nos quais uma empresa adquire o direito de associar seu nome a um espaço físico, evento ou competição. Em troca, o detentor do espaço recebe uma contraprestação financeira pelo período acordado.

É obrigatório registrar a marca em um contrato de naming rights?

Não é obrigatório por lei, mas é altamente recomendável. Sem o registro de marca, a empresa não tem proteção exclusiva sobre o nome utilizado, o que pode permitir que terceiros se apropriem da expressão e causem confusão no mercado.

Quanto tempo dura um contrato de naming rights?

O prazo varia conforme a negociação entre as partes, mas contratos de cinco a vinte anos são os mais comuns no mercado esportivo. O prazo deve ser suficiente para que a empresa recupere o investimento e consolide a associação da marca com o espaço.

O que acontece se a empresa precisar fazer rebranding durante o contrato?

O contrato deve prever essa situação. Em geral, inclui-se uma cláusula que regula o procedimento e os custos de substituição do nome, além de eventuais penalidades ou compensações para o detentor do espaço. Por isso, é fundamental discutir esse ponto antes da assinatura.

Naming rights valem para eventos virtuais ou competições de e-sports?

Sim. O modelo de naming rights já se aplica a competições de e-sports, streamings e eventos digitais. No entanto, nesses casos, a proteção da marca precisa contemplar também o ambiente digital, incluindo domínios, perfis em redes sociais e eventuais aplicações no metaverso.

Rocco & Canonica — advogados especializados em proteção de marca e naming rights

Se você representa uma empresa que está avaliando um contrato de naming rights ou que já firmou um acordo e precisa garantir a proteção jurídica adequada da marca, a Rocco & Canonica – Advogados pode ajudar. Nossa equipe tem experiência consolidada em propriedade intelectual, registro de marcas e contratos complexos de patrocínio.

Atuamos em todas as etapas do processo: da busca de anterioridade ao acompanhamento do pedido de registro no INPI, passando pela revisão e elaboração de contratos de naming rights com cláusulas específicas para proteger o seu investimento. Assim, você pode fechar negócios de alto valor com a segurança jurídica que eles merecem.

Entre em contato conosco e descubra como podemos estruturar a proteção da sua marca de forma inteligente e eficiente. Acesse agora nossa página de registro de marca e saiba mais sobre os nossos serviços.

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Scott Rocco Dezorzi

Advogado Especialista em Direito Digital, Propriedade Intelectual e Proteção de Dados

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