Registro de Marca

Nulidade administrativa de registro de marca: como pedir

Profissional compara sinais semelhantes em análise de nulidade administrativa de registro de marca
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A nulidade administrativa de registro de marca permite questionar, no próprio INPI, um registro concedido em desacordo com a Lei da Propriedade Industrial. O pedido pode partir do INPI ou de qualquer pessoa com legítimo interesse. Contudo, o interessado precisa agir em até 180 dias da expedição do certificado, considerada a publicação da concessão na Revista da Propriedade Industrial (RPI). Por isso, verificar a data exata e reunir provas antes do protocolo são providências essenciais.

O que é a nulidade administrativa de registro de marca?

O Processo Administrativo de Nulidade (PAN) provoca um novo exame da concessão. Nesse procedimento, o INPI avalia se o registro contrariou alguma disposição da Lei nº 9.279/1996.

Portanto, não basta considerar a marca inconveniente ou semelhante de forma abstrata. O requerente deve apontar um fundamento legal e demonstrar por que a concessão foi irregular.

A nulidade pode ser total ou parcial. Segundo o artigo 165 da lei, a parte remanescente precisa continuar registrável para que a invalidação seja apenas parcial.

Quando é possível pedir a nulidade no INPI?

O artigo 168 autoriza a declaração administrativa quando o registro tiver sido concedido com infração à Lei da Propriedade Industrial. Assim, o fundamento depende do vício existente no momento da concessão.

Entre as situações mais frequentes estão:

  • registro de sinal que reproduz ou imita marca anterior para produtos ou serviços relacionados;
  • apropriação indevida de nome empresarial, pseudônimo, título de estabelecimento ou outro sinal protegido;
  • concessão de expressão genérica, descritiva ou sem distintividade suficiente;
  • registro capaz de enganar o público quanto à origem, natureza ou qualidade do produto ou serviço;
  • violação ao direito de precedência de quem usava, de boa-fé, marca semelhante no Brasil;
  • registro obtido em circunstâncias incompatíveis com outras proibições previstas no artigo 124.

Por exemplo, a mera existência de duas marcas parecidas não resolve a análise. É necessário comparar os sinais, os segmentos, os produtos, os serviços e o risco concreto de associação. Nosso artigo sobre colidência de marcas explica esses critérios com mais detalhes.

Qual é o prazo da nulidade administrativa de registro de marca?

O prazo do PAN é de 180 dias. A contagem começa na data de expedição do certificado, correspondente à publicação da concessão na RPI.

Esse marco não deve ser confundido com a data do depósito ou com o dia em que o interessado descobriu o conflito. Consequentemente, acompanhar somente a base de busca ou alertas por e-mail pode não ser suficiente.

O Manual de Marcas do INPI confirma que a RPI é a referência para a publicação da concessão. Assim, o primeiro passo é localizar o despacho e registrar sua data com precisão.

Se os 180 dias já terminaram, o PAN deixa de ser a via adequada. Ainda assim, pode existir a ação judicial de nulidade, sujeita ao prazo de cinco anos contado da concessão.

Quem pode requerer a nulidade administrativa de registro de marca?

Conforme o artigo 169, o INPI pode instaurar o processo de ofício. Além disso, qualquer pessoa com legítimo interesse pode apresentar o requerimento.

O legítimo interesse exige uma relação concreta com o registro questionado. Em geral, ele pode decorrer de marca anterior, uso prévio, nome empresarial, atuação no mesmo mercado ou prejuízo juridicamente demonstrável.

Quando a alegação envolve direito de precedência, a prova de uso anterior merece atenção especial. O requerente também deve possuir um pedido de registro próprio compatível com a tese apresentada. Dependendo do caso, o INPI pode sobrestar o PAN até decidir esse pedido.

Como pedir a nulidade administrativa de registro de marca

O protocolo exige planejamento. Uma petição genérica, baseada apenas na aparência dos sinais, tende a deixar sem resposta as questões decisivas.

1. Confirme o registro e o prazo

Primeiramente, consulte o histórico do processo e a RPI que publicou a concessão. Depois, calcule os 180 dias e salve os documentos encontrados.

2. Identifique o fundamento legal

Em seguida, relacione os fatos às proibições e aos direitos previstos na LPI. A petição deve explicar o vício original do registro, e não apenas conflitos surgidos posteriormente.

3. Organize as provas

As provas variam conforme a tese. Podem ser úteis contratos, notas fiscais, publicidades datadas, embalagens, registros de domínio, perfis comerciais e documentos societários.

Além disso, preserve o histórico de uso da marca e os arquivos originais. Capturas isoladas, sem data ou contexto, podem ter menor força demonstrativa.

4. Defina as classes questionadas

O INPI exige a indicação das classes atingidas e das razões aplicáveis a cada uma. Portanto, a nulidade não deve ser formulada como um pedido indistinto quando o registro abrange diferentes classes.

5. Pague a retribuição e protocole a petição

O serviço para pedir a nulidade de um registro de marca possui o código 336. O valor é calculado conforme a quantidade de classes questionadas, de acordo com a tabela vigente.

Finalmente, o interessado deve protocolar a petição e acompanhar as publicações oficiais. Exigências ou intimações ignoradas podem comprometer a análise dos argumentos apresentados.

Como tramita a nulidade administrativa de registro de marca?

Depois da instauração, o titular do registro é intimado para se manifestar em 60 dias. Ele pode apresentar contrarrazões, contestar o interesse do requerente e defender a legalidade da concessão.

Na sequência, o INPI examina os argumentos e o conjunto probatório. A decisão compete ao Presidente do Instituto e encerra a instância administrativa, conforme o artigo 171.

Isso significa que não existe um novo recurso administrativo ordinário contra essa decisão. Entretanto, a legalidade do ato pode ser discutida perante o Poder Judiciário, observados os requisitos processuais.

Além disso, o PAN prossegue mesmo que o registro seja extinto durante sua tramitação. A regra impede que uma renúncia posterior elimine automaticamente a análise da irregularidade original.

Quais são os efeitos da nulidade administrativa de registro de marca?

De acordo com o artigo 167, a declaração de nulidade produz efeitos desde a data do depósito do pedido. Em outras palavras, a decisão alcança a origem do registro inválido.

Contudo, a nulidade administrativa não concede automaticamente indenização ao requerente. Eventuais perdas e danos dependem de fundamentos, provas e medidas próprias.

A decisão também não transfere o registro anulado para quem apresentou o PAN. Por isso, o interessado deve avaliar seu próprio pedido de marca e a estratégia de proteção correspondente.

Nulidade, oposição e caducidade: quais são as diferenças?

A oposição acontece antes da concessão. Ela permite que um terceiro apresente impedimentos durante o exame do pedido, dentro do prazo legal após sua publicação.

O PAN ocorre depois da concessão. Seu objetivo é demonstrar que o registro nasceu em desacordo com a legislação.

Já a caducidade de marca discute a ausência ou insuficiência de uso após a concessão. Portanto, ela não corrige um vício original, mas examina uma situação posterior.

Escolher o procedimento errado pode consumir tempo e reduzir as alternativas disponíveis. Dessa forma, o diagnóstico deve considerar a fase do processo e a causa jurídica do problema.

Nulidade administrativa ou ação judicial?

O PAN tramita no INPI e precisa ser requerido em até 180 dias. Por outro lado, a ação de nulidade pode ser ajuizada em até cinco anos da concessão do registro.

Segundo os artigos 173 a 175 da Lei da Propriedade Industrial, a ação tramita na Justiça Federal. O INPI participa do processo quando não for o autor.

Além disso, o juiz pode suspender liminarmente os efeitos do registro e o uso da marca, desde que os requisitos processuais estejam presentes. Essa possibilidade não significa concessão automática da medida.

Em alguns casos, a estratégia pode envolver medidas extrajudiciais, administrativas e judiciais coordenadas. No entanto, a escolha depende do prazo, das provas, da urgência e dos efeitos comerciais do conflito.

Como se defender de um pedido de nulidade?

O titular deve começar pela leitura integral da petição e dos documentos do requerente. Em seguida, precisa identificar cada fundamento e preparar uma resposta específica.

A defesa pode demonstrar distintividade, ausência de risco de confusão, diferenças entre mercados ou falta de prova do uso anterior. Também pode contestar a legitimidade e a coerência documental do pedido.

Como o prazo de manifestação é de 60 dias, a organização deve começar assim que a intimação aparecer na RPI. Além disso, documentos comerciais e históricos de criação devem ser preservados com antecedência.

Perguntas frequentes sobre nulidade administrativa de registro de marca

O INPI pode anular uma marca por iniciativa própria?

Sim. O artigo 169 permite a instauração de ofício dentro do mesmo prazo de 180 dias.

O titular perde a marca assim que o PAN é protocolado?

Não. O registro continua produzindo efeitos até que exista decisão que reconheça a nulidade ou medida judicial aplicável.

É possível pedir nulidade apenas em uma classe?

Sim. A nulidade pode atingir somente determinadas classes, desde que a parte remanescente permaneça registrável.

Cabe recurso administrativo contra a decisão do PAN?

Não há novo recurso administrativo ordinário. A decisão do Presidente do INPI encerra essa instância, sem afastar eventual controle judicial.

Perdi o prazo de 180 dias. Ainda posso agir?

Pode existir ação judicial de nulidade até cinco anos após a concessão. Contudo, é necessário avaliar legitimidade, fundamento, provas e competência federal.

Uma notificação extrajudicial substitui o PAN?

Não. A notificação pode apoiar uma negociação, mas não anula o registro nem interrompe automaticamente os prazos legais.

Como a Rocco & Canonica pode auxiliar

A nulidade administrativa exige atuação rápida, fundamento jurídico preciso e provas organizadas. Por isso, uma análise inicial deve confirmar o prazo, o alcance do registro e a estratégia mais adequada.

A Rocco & Canonica — Advogados atua na proteção de ativos intelectuais e em conflitos envolvendo marcas. Conheça nosso guia sobre registro de marca e, caso precise analisar um conflito concreto, consulte nosso atendimento em registro de marca no INPI.

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